sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Revolução Americana - Locais (Nova Iorque) - HMS Jersey


Os britânicos prenderam tanta gente durante a Guerra da Revolução que, rapidamente, ficaram sem lugar para colocá-las. As prisões de Nova Iorque (como a Bridewell) estavam lotadas e os britânicos começaram a ocupar casas de açúcar e igrejas pró-rebeldes da cidade.

No porto, os navios de guerra desativados foram usados como navios-prisão, sendo o Jersey HMS o mais conhecido. O Jersey recebeu - e mereceu - o apelido de "inferno". Me pergunto se você consegue adivinhar o por quê. A condição embaixo dos deques (onde os prisioneiros eram mantidos) era de lotação máxima - mil homens amontoados, sem luz, saneamento básico ou ventilação adequada.

Cerca de uma dúzia de prisioneiros morriam todos os dias - fosse de varíola, febre amarela, desnutrição ou tortura dos guardas. Não vou nem começar a descrever a comida. Bem, está bem, vou começar... "não comestíveis" e "cheias de vermes". Mas não vou terminar.

Os britânicos achavam que os rebeldes eram traidores e não mereciam condições melhores.

Pelo menos 11.000 pessoas morreram a bordo dos navios-prisões - mais do que no restante da guerra. Depois que os britânicos deixaram Nova Iorque, a Marinha americana encontrou valas comuns na lama à beira do porto. Esses restos mortais foram colocados sob um monumento no Brooklyn, onde costumava ser o Fort Putnam.

Revolução Americana - Locais (Nova Iorque) - Prisão de Bridewell


Em 1773, a população carcerária da New Gaol estava ficando tão grande que a cidade começou a planejar uma nova prisão. Bridewell foi iniciada em 1773. A construção terminou e 1775, mas antes que pudesse ser usada, a guerra começou e os britânicos começaram a enchê-la com prisioneiros de guerra americanos.

As condições da prisão eram terríveis. Imagine um hotel com dinheiro e, em seguida, tire o dinheiro. Havia pouquíssima comida, e muito ruim. Não havia vidraças - apenas barras nas paredes. Um prisioneiro escreveu que nos três meses de inverno, o único fogo que ele viu foi dos lampiões, nas ruas. Isso foi antes dos nossos dois séculos e meio do aquecimento global, então você consegue imaginar o frio que fazia.

Quando a guerra acabou, a construção atendeu à sua utilidade inicial - encarcerar criminosos e devedores locais. Só espero que o novo governo tenha instalado janelas e dado um jeito na comida.

A prisão foi demolida em 1838 e as pedras foram usadas para construir uma nova prisão que recebeu o apelido de 'As Tumbas' - que não era tão glamurosa quanto parece. E, desde então, essa tem sido o nome de toda cadeia em Manhattan.

Revolução Americana - Locais (Outros) - Distritos Privados

Uma das questões que cerca a Revolução Americana é que as colônias não tinham representantes - e, portanto, nada a dizer - no Parlamento britânico.

Para piorar a situação, algumas partes do Reino Unido que não tinham moradores, tinham lugares no Parlamento. Isso significava que esses proprietários podiam dar ordens governamentais a quem bem entendessem. Essas áreas eram conhecidas como "distritos privados" (porque o proprietário o tinha só para ele) ou "distritos corruptos" (chega a ser divertido adivinhar o por quê).

Um dos piores exemplos era o distrito de Old Sarum, que não tinha eleitores, mas tinha dois lugares no Parlamento. No entanto, não era o único. Havia muitos distritos - em 1761, estima-se que 250 dos 558 distritos parlamentares estavam nesse tipo de situação - e o problema não foi corrigido até o século 19.

Sabe quando os Colonos reclamavam que o governo britânico era desmedidamente corrupto? Eles tinham razão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Revolução Americana - Locais (Especial Naval) - Chesapeake Bay e Oceano Atlântico

Chesapeake Bay


Pintura da Batalha da Baía de Chesapeake

A Baía de Chesapeake corre ao longo das costas de Virgínia e Maryland. É uma das maiores baías dos Estados Unidos - mais de 300 quilômetros de extensão e até 40 quilômetros de largura - e o local do primeiro assentimento britânico permanentemente na América do Norte - Jamestown, fundado em 1607.

Todos os dias, às 16h07, tomo uma xícara de chá e penso nisso.

É também o local da Batalha do Chesapeake, uma das mais importantes Batalhas navais da Guerra da Revolução.

Oceano Atlântico






Claro, atravessar o Atlântico hoje em dia é tão fácil quanto viajar de avião, mas nos tempos coloniais era muito mais difícil - se bem que acho que a comida escassa, as condições de superlotação e o risco de sentar ao lado de um homem que fique de esfregando no seu braço por muitas horas fazem as duas coisas quase que iguais.
Para os viajantes europeus a viagem levava, sendo otimista, seis semanas - mas depensendo dos atrasos poderia durar meses. Os perigosos incluíram tempestades (e seu oposto, a calmaria) enjoos, escassez de comida e tédio mortal, porque não se tinha nada para fazer durante o dia inteiro.

Para os africanos capturados para a escravidão, a viagem pelo Atlântico era muito pior - era feita pela "passagem do meio", geralmente pelo Caribe. A viagem era tão longa quanto, mas os escravos eram mantidos abaixo do convés, raramente saiam ao ar livre, e ficavam algemados a outros homens. Eles recebiam apenas uma refeição por dia - e menos que isso, se os estoques estivessem acabando. As doenças atacavam rapidamente e a taxa de mortalidade era muito alta.

Jamais reclamarei novamente ao ser indevidamente revistado pelo segurança do aeroporto. Embora, para ser justo, agora somos bem amigos.

Revolução Americana - Locais (Boston) - Crown Coffee House "Casa de Café da Coroa"


O nome desse lugar é um pouco enganador. Reza a lenda que essa "casa de café" vendeu mais vinho do que café, porque o café ainda estava se tornando popular. Eu sei que é difícil imaginar um momento em que as pessoas não tomavam sua xícara ela manhã, mas acontecia.

Se formos pelo múmero de garrafas que tinham no estoque, esse foi um dos mais movimentados bares de Boston - provavelmente devido à sua localização. Se chegasse a Boston, de navio, em 1700 - e sejamos francos, ainda não existia avião - essa teria sido a primeira taberna que veria, e já que tabernas eram ótimos lugares para conseguir informações, você poderia muito bem parar aqui para beber e se atualizar nas notícias.

Revolução Americana - Locais (Boston) - Old Corner Book Store



No momento, não passa de uma botica, mas há algum tempo esse prédio foi a sede da Ticknor and Fields, principal editora americana da época. Isso pode soar um pouco chato, mas essa construção estará no centro da literatura e do pensamento americano. Autores como Henry Wadsworth Longfellow, Nathaniel Hawthrone, Harriet Beecher Stowe e, até mesmo, Charles Dickens, se encontravam aqui.

Claro que, dado o estado do seu conhecimento literário, é possível que você não saiba quem são essas pessoas. Eu poderia ter citado nomes como Minty Clitheroe e Pippy Bumbum e você ainda ficaria impressionado.

Revolução Americana - Eventos (Boston) - Massacre Boston

DATA: 5 DE MARÇO DE 1770




O Massacre de Boston foi o cume de algumas brigas entre os soldados ingleses e o povo de Boston. Um grupo de soldados ingleses atirou em uma multidão à queima-roupa, matando 5.

A realidade não incrimina tanto os ingleses quanto parece. O que começou como uma discussão sobre a conta de um fabricante de perucas (por incrível que pareça) se transformou em um tumulto. Centenas de cidadãos de Boston encurralaram 8 soldados ingleses por horas. No final, muitos estavam segurando paus, jogando pedras e provocando os soldados para que atirassem.

O Capitão Thomas Preston era o encarregado pelos soldados e tentou resolver a situação conversando com a multidão. Eles perguntaram se as armas de seus soldados estavam carregadas, ele admitiu que sim, mas que seria absurdo ordenar que atirassem, já que no momento ele estava na frente deles.

Somente quando um dos soldados foi atingido por uma pedra que o obrigou a largar seu mosquete, os soldados atiraram no povo, contra as ordens de Preston, que depois testemunhou que nunca deu ordens para atirarem (talvez seus homens tenham confundido as provocações da multidão com uma ordem, vamos ser sinceros, imagina a barulheira).

Os soldados foram presos e acusados de assassinado. Seis foram absolvidos, incluindo Thomas Preston. Os outros dois homens foram considerados culpados de homicídio culposo, mas tiveram seus dedões marcados a ferro quente em vez de senteça comum, que era a morte.

Um fato interessante sobre o massacre é o que aconteceu depois, eu seja, como os dois lados tentaram invertê-lo a seu favor. Para você ter ideia de quem ganhou esta guerra de relações públicas específica, lembre-se que a maioria das pessoas a chamam de "Massacre". Os revolucionários a descreviam como um ataque às liberdades Coloniais e as imagens do evendo (popularizadas por Paul Revere), mostravam uma tropa inglesa organizada atirando no povo e não um grupo confuso de soldados encurralado por uma multidão protestante.

Os ingleses, por outro lado, chamavam o evento de "O Incidente na Rua King". Ingleses ficam naturalmente calmos em crises, diferente de certos países que insistem em transformar confrontos pequenos em um circo de três picadeiros.

De qualquer forma, o fabricante de perucas abaixou seus preços e o incidente nunca mais aconteceu.

Considero uma vitória para os carecas.